I Sarau das Poéticas Indígenas

Enviado em Questão Indígena de GRUMIN | 17 de Abril de 2009 @ 14:16
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REDE GRUMIN DE MULHERES INDÍGENAS informa:
I SARAU DE POÉTICAS INDÍGENAS
Promoção: CASA DAS ROSAS_ GOVERNO DE SÃO PAULO
ww.casadasrosas-sp.org.br
Dia 19 de abril, das 15 às 21 horas

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A idéia do I Sarau das Poéticas Indígenas é reunir índios, escritores
indígenas e de outras origens, clássicos e contemporâneos, cuja obra tenha
inspiração indígena de alguma região do Brasil. Poéticas, pois aqui não cabe
apenas uma única poética, a ocidental ou aristóteleana, mas sua diversidade
que vive nos cânticos, na história oral, no ritual indígena, tendo em comum
a inventividade e o encantamento com a palavra e suas possibilidades. Essa
reunião de poetas e poéticas pretende dar projeção e ânimo a este ainda
singelo movimento intercultural e literário que é o da literatura indígena.

Curadoria: Deborah Goldemberg
http://ressurgenciaicamiaba.blogspot.com/2009/04/convite-i-sarau-das-poeticas-indigenas.html

REGIÃO NORDESTE

1. Apresentação dos índios Pataxó do Sul da Bahia Manoel Santana e Zé
Fragoso.

Sobre o povo Pataxó: Os Pataxó são o povo que travou o primeiro contato com
os portugueses na região de Porto Seguro há 509 anos. Sua trajetória é
admirável e demonstra grande adaptabilidade frente às adversidades,
capacidade de união em prol de seus direitos e resistência cultural. Hoje,
com parte de suas terras reconquistadas, fala-se de uma ressurgência Pataxó,
na qual índios idosos e jovens buscam resgatar sua cultura ancestral e
reviver sua língua nativa.

Sobre os índios que se apresentam: Manoel Santana é um contador de histórias
Pataxó da Aldeia Boca da Mata, próximo à cidade de Itamarajú no Sul da
Bahia. Segundo o antropólogo Guga Sampaio é “um proseador desinibido,
eloqüente e imaginativo”. Zé Fragoso é cacique da aldeia e escritor indígena
da Aldeia Tibá, no Prado, Sul da Bahia.

2. Apresentação do índio Pankararu de São Paulo Bino Pankararu

Sobre o índio: Bino Pankararu é uma liderança dos índios Pankararu que vivem
no Real Parque, São Paulo, e cumpre função religiosa em sua cultura. Nascido
na Aldeia Brejo dos Padres em Pernambuco, ele é um dos muitos índios
imigrantes que vieram para a metrópole num pau de arara fugindo da seca, das
invasões de suas terras, em busca de novas alternativas de vida.

3. Apresentação e leitura da escritora indígena Eliane Potiguara*

Sobre a escritora: Indicada em 2005 para o Prêmio Nobel da Paz (Projeto Mil
Mulheres do Mundo), Eliane é escritora, autora de METADE CARA, METADE
MÁSCARA (Global Editora), professora e ativista indígena. É remanescente
Potiguara, coordenadora e fundadora da Rede Grumin de Mulheres Indígenas /
Rede de Comunicação Indígena,organização que ganhou o Prêmio Cidadania
Internacional da Comunidade Bahai/IRÃ e diretora do INBRAPI (Instituto
Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual). Sites:
www.elianepotiguara.org.br e www.grumin.org.br.

4. Leitura da poeta Graça Graúna, de Pernambuco

Sobre a poeta: Graça é descendente dos índios Potiguara do Rio Grande do
Norte e escritora de ensaios, crônicas e poemas. Atualmente, reside em dois
lugares: no litoral e no agreste pernambucano. É graduada, tem
especialização, mestrado e doutorado em Letras, tendo dedicado-se aos temas
de mitos indígenas na literatura infantil e literatura indígena
contemporânea no Brasil. Tem vários livros publicados, o mais recente
chama-se Tear da Palavra, de 2007. Mantém um blogue.

REGIÃO NORTE

1. Apresentação do antropólogo Pedro Cesarino sobre os índios Marubo

Sobre os índios Marubo: Os Maurbo vivem no Vale do Rio Javari, próximos à
fronteira do Amazonas com o Peru. Algumas de suas aldeias são ainda
isoladas, enquanto outras vêm sofrendo interferência da população regional.
Têm uma vasta tradição oral identificada por antropólogos. Seus “saitis”,
narrativas míticas cantadas, que tratam da formação do cosmos, chamam a
atenção pelo seu valor poético.

Sobre o antropólogo: Pedro de Niemeyer Cesarino é graduado em filosofia pela
Universidade de São Paulo, mestre e doutor em antropologia social pelo Museu
Nacional (UFRJ). Especialista em etnologia e tradições orais ameríndias, vem
realizando pesquisas junto aos Marubo do Vale do Javari (AM) desde 2004. É
também co-editor da revista literária Azougue e colaborador da Companhia
Livre da Cooperativa Paulista de Teatro. Atualmente, é pós-doutorando no
Departamento de Letras da Universidade
de São Paulo.

2. Apresentação dos índios Eurico Baniwa e Juju Murá de São Paulo

Sobre os índios Baniwa: Os Baniwa são índios do Amazonas que vivem no Alto
Rio Negro, tendo como ponto de apoio a cidade de São Gabriel da Cachoeira,
cidade brasileira com maior população indígena. A arte Baniwa,
particularmente sua cestaria, é conhecida internacionalmente.

Sobre o índio que se apresenta: Eurico Baniwa nasceu na aldeia Baniwa do Rio
Içna, do Alto Rio Negro. Formou-se em Filosofia em Manaus, trabalhou com
saúde e educação entre os índios Ianomami. Desde 2004 está em SP, aonde
estuda Direito e atua no IDET (Instituto das Tradições Indígenas).

Sobre os índios Mura: Os Mura são índios do Amazonas. Contatados nos Século
XVIII por uma missão jesuítica que visava se assentar às margens do Rio
Madeira e pelo sistema colonial do Grão Pará, os Mura registram longa
convivência com a sociedade nacional, história marcada pela escravidão no
período colonial e o trabalho semi-escravo para os patrões que monopolizavam
o extrativismo da castanha-do-pará na área indígena. Em 1996 a FUNAI deu
início à demarcação de suas terras. O povo Mura vive hoje em fraternidade,
na margem do Rio Madeira, em harmonia com a mãe terra, cultivando a tradição
milenar.

Sobre a índia que se apresenta: Juju Mura nasceu no Amazonas, na comunidade
Manaquiri, e veio para São Paulo em 2001 para realizar seus estudos.
Formou-se em pedagogia na FAAC, fez docência de ensino superior, é
professora e divulga a cultura indígena em Cotia-SP.

3. A declamadora Tatiana Fraga lê obras dos poetas Joaquim Sousândrade e
Raul Bopp

Sobre o poeta Joaquim Sousândrade: Joaquim Sousândrade foi um poeta
maranhense que viveu no Século XIX que recorreu ao multilinguismo para
incorporar o elemento indígena amazônico ao seu poema épico O Guesa Errante
(1874). Morreu em São Luis, na miséria e sendo considerado louco. Sua obra
veio ser reconhecida por Haroldo de Campos na década de 60.

Sobre o poeta Raul Bopp: Raul Bopp, nasceu no Rio Grande do Sul viveu no
início do Século XX. Formado em direito, viajou o Brasil e escreveu sua obra
prima, Cobra Norato, sobre a Amazônia. Integrou o grupo paulista do
modernismo, cujas correntes verde-amarelas (Pau Brasil) e antropofágicas fez
parte.

Sobre a declamadora: Tatiana Fraga é poeta e coordenadora de arte da Casa
das Rosas.

4. Leitura da escritora Deborah Goldemberg

Sobre a escritora: Deborah Goldemberg, paulistana, é formada em antropologia
e é escritora. Tem diversas publicações de crônicas, poemas e artigos em
coletâneas e jornais. É atuante no movimento literário paulistano e curadora
do I Sarau das Poéticas Indígenas da Casa das Rosas. Seu primeiro livro,
Ressurgência Icamiaba, é uma novela baseada na lenda amazônica das
guerreiras Icamiabas, uma neo-lenda multiétnica e transbrasileira. Mantém o
blog literário ressurgenciaicamiaba.blogspot.com

SUL E SUDESTE DO PAÍS

Introdução geral aos índios do Sul/Sudeste: Os índios Guarani são naturais
do Sul e Sudeste do Brasil, vivendo ao longo do litoral desde o Sul de São
Paulo até Santa Catarina. Havia um caminho chamado Pearibu, que os ligava ao
Paraguai, aonde viviam seus parentes. Com o avanço da escravidão portuguesa,
eles recuaram mais para o Oeste, concentrando-se no Paraguai (Benedito
Prezia, 2001). A experiência das Missões Jesuíticas do Século XVII, reduções
cristãs criadas nas fronteiras do Brasil com a Argentina e Paraguai, deram
margem à uma troca cultural inusitada, pois a arte e a música eram ali
altamente valorizadas. Após a destruição das missões, muitos índios foram
trazidos para São Paulo como escravos, influindo na cultura mestiça. No
início do Século XIX, famílias Guarani começaram a voltar para São Paulo e
hoje há três comunidades estabelecidas com cerca de 800 índios vivendo
nelas. O Guarani é a língua indígena mais falada no Brasil, com 50 mil
falantes. Há 4 dialetos: kaiowá, nhandeva, m’bya e tupi-guarani. No
Paraguai, cerca de 3 milhões de pessoas falam o guarani paraguaio.

1. Apresentação dos índios Guarani Nhandeva

Sobre a índia: Poty Porã é professora indígena, estudou na PUC e na
Universidade de São Paulo.

Sobre o índio: William Macena é uma liderança indígena e monitor do CECI,
Centro Educacional de Cultura Indígena de São Paulo.

2. Leitura do escritor indígena Olivio Jekupe

Sobre o escritor: Olívio Jekupe escreve poesia desde os 15 anos, cursou
filosofia na PUC Paraná e na USP. É escritor de diversos livros indígenas e
é muito requisitado para palestras sobre a temática, inclusive fora do
Brasil. Atualmente vive na Aldeia Krukutu, em Parelheiros, São Paulo, com
sua esposa e quatro filhos.

3. A declamadora Nicole Cristófalo lê o escritor José de Alencar e o poeta
Gonçalves Dias.

Sobre o poeta: Gonçalves Dias, 1823-1864 é considerado o poeta nacional por
excelência, tendo conseguido dar vida ao tema do índio na poesia brasileira.

Sobre o escritor: José de Alencar, nascido em Fortaleza, viveu o Brasil
Imperial do Século XIX no Rio de Janeiro e é o grande nome da prosa
romântica brasileira. Sua obra tem uma forte linha indigenista que inclui
alguns de seus romances mais famosos, tal como O Guarani (1857), Iracema
(1865) e Ubirajara (1870).

Sobre a declamadora: Nicole Cristofalo é poeta, estudante de Letras da
Universidade de São Paulo e colaboradora da revista literária Zunái.
Desenvolve uma pesquisa sobre o poeta argentino Oliverio Girondo.

4. O declamador João Pedro Ribeiro relembra o modernismo brasileiro, em
parceria com os poetas maloqueiristas Caco Pontes e Berimba de Jesus.

Sobre o poeta modernista: Oswald de Andrade, paulistano, foi líder do
movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em
1922. É de sua autoria o Manifesto Antropofágico de 1928, que criticava o
academicismo da arte brasileira e buscava valorizar a cultura brasileira.

Sobre o poeta modernista: Mário de Andrade, paulistano, foi líder do
movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em
1922. Pesquisador de etnografia e folclore, seu romance Macunaíma reelabora
temas da mitologia indígena com visões folclóricas da Amazônia e do resto do
Brasil; é considerado uma das obras capitais da narrativa brasileira no
Século XX e o fundamento de uma nova linguagem literária.

Sobre o declamador: João Pedro Ribeiro é descendente de índios Kaingang do
Rio Grande do Sul e italianos. Atualmente, cursa lingüística na Faculdade de
Letras da USP, escreve e é um grande entusiasta da literatura indígena. Os
poetas Caco Pontes e Berimba de Jesus do movimento maloqueirista
participarão da declamação.

5. Leitura do escritor Douglas Diegues, de Assunción

Sobre o escritor: Douglas Diegues é escritor, vive na fronteira do Brasil
com o Paraguai e escreve numa linguagem que ele auto-denominou como
Portunhol Selvagem, misto de português, espanhol e Guarani, inspirada na
linguagem que é de fato falada no contexto intercultural do território em
que vive. Tem diversos livros publicados, inclusive uma coletânea de poesias
Guarani M’Bya, e mantém um blog.

6. Leitura do poeta Pedro Tostes

Sobre o poeta: Pedro Tostes nasceu no Rio de Janeiro e é poeta do movimento
paulistano de “Poesia Maloqueirista” Segundo Antonio Vicente Seraphim
Pietroforte, professor da FFLCH-USP, “Os maloqueristas são originais assim:
um negro, um branco e um índio; mas não são as três raças tristes, nem
pretendem afastar as contribuições da cultura Holandesa no Brasil.” Mantém
um blog.

7. O declamador indígena Emerson de Oliveira Souza lê um texto do Pajé
Florêncio Portillo de 1993.

Sobre o declamador indígena: Emerson de Oliveira Souza é um índio Guarani
Nhandeva, residente em São Paulo.

Sobre o pajé: Pajé Florêncio Portillo é do povo Avá Guarani, ou Guarani
Nhandeva. O texto Para Deus somos Todos Iguais foi uma apresentação oral
dele para os participantes fizeram no Encontro Nacional de Lideranças
Indígenas, em Benjamin Aceval, Paraguai. Diante da diversidade étnica,
havida naquele encontro, o pajé Florencio fez uma reflexão sobre a
diversidade, que deve encontrar uma unidade em Deus, pai de todos.

Sobre o texto: A tradução do guarani para o espanhol foi feita pelo
paraguaio Eri Daniel Rojas e a versão portuguesa foi feita por Benedito
Prezia, antropólogo e escritor de diversos livros sobre povos indígenas.

Crédito das fotos: Dede Fedrizzi, fotógrafo, e Alikrim Pataxó, modelo.

Sobre o fotógrafo: Dede Fedrizzi já viveu na Espanha, Grécia, Suiça,
Alemanha e os Estados Unidos. Hoje, passa a maior parte do tempo em São
Paulo, Brasil. É mestre em Artes Plásticas, pela Universidade de Nova Iorque
e tem fotografado publicidade e moda em todo o planeta. www.dedefedrizzi.com

Sobre o modelo: Alikrim Pataxó, reside na Aldeia Olho do Boi, Caraíva,
Bahia.

* Escritora, professora e ativista indígena coordenadora do GRUMIN e
Diretora do INBRAPI

· www.grumin.org.br
· www.elianepotiguara.org.br
· www.inbrapi.org.br

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