DEPOIMENTOS SOBRE O ENCONTRO DE ESCRITORES INDÍGENAS

Enviado em Questão Indígena de GRUMIN | 10 de Junho de 2008 @ 10:09
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FORÇA DA IMAGEM-PALAVRA INDÍGENA
Graça Graúna

Quando vi tantos parentes reunidos no V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, veio a minha mente a idéia de que esse V Encontro sintetizou nossas vozes e angústias acumuladas há mais de 500 anos.

Li o emociante depoimento do parente Cássio Potiguara (O encanto da palavra na terra da Kari - Oca) acerca do V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, em terras cariocas. Acho que ele conseguiu sintetizar o sentimento de todos que participaram desse grande acontecimento. Muito importante, sim, e que não poderia ser diferente, pois contando com as boas energias de líderanças indígenas, o nosso V Encontro ultrapassou as expectativas. Tivemos para nos guiar, a força da imagem e da palavra dos grandes líderes do Movimento Indígena: Álvaro Tukano, Ailton Krenak, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara e de todos os nossos ancestrais que se fizeram presente para fortalecer nosso espírito em prol do bom andamento do Encontro.
Não esquecerei dos sagrados momentos que todos(as) tivemos durante as quatro mesas-redonda: na manhã da quarta-feira nos deleitamos “Em um mundo habitado por Espíritos”, com a participação de Álvaro Tukano, Daniel Munduruku e Ailton Krenak.
Na seqüência, a palavra germinando em poesia e contação de histórias “Em um mundo formado por Palavras e Deusas”, teve a participação de Marina, Rosa, Eliane Potiguara, Graça Graúna e Aurilene Tabajara.
No período da tarde, o universo masculino mostrou também sua sabedoria e arte “Em um mundo repleto de Sons e Imagens”, com Critino Wapixaa, Marcio Bororo (música), Wasiry Guará (letra e grafismo), Elias Maraguá (grafismo), Xohã Carajá (grafismo) e Cleomar Umutina (grafismo). Na mesa “A Palavra virou Letra”, a grande participação de Cássio Potiguara, Getúlio Wapixana, Luciano Umutina (teatro) Olívio Jekupé e Daniel Munduruku.
Quando vi tantos parentes reunidos no V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, veio a minha mente a idéia de que esse V Encontro sintetizou nossas vozes e angústias acumuladas há mais de 500 anos; por isso mesmo, foi natural a nossa ansiedade de querer mostrar tudo ou quase tudo que inquietava o nosso espírito e por isso mesmo, antes da abertura do evento, o Daniel Munduruku, Ávoro Tukano, Ailton Krenak e Olívio Jekupé abriram o evento com uma cerimônia que culminou com a participação de dezenas e dezenas de pessoas que fizeram um grande circulo em volta da fonte e do jardim no pátio interno do MAM. Foi preciso vibrar os maracás para equilíbrio do encontro e do planeta.
À noite da quarta feira, o nosso grupo liderado por Álvaro Tukano, Ailston Krenak, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara participou do I encontro da UERJ com Escritores Indígenas, encontro este coordenado pelo Prof. José R. Bessa Freire, integrante da lista de Literatura Indígena.
Esta é apenas uma pequena parte da história, pois o V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas não ficou restrito ao 10º Seminário da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; tivemos outros momentos sob a generosidade de Beth Serra – responsável pelo sucesso do 10º seminário da FNLIJ. Tivemos muitas atividades paralelas e a esse respeito voltaremos a conversar. Paz em Nhande Rú.

Graça Graúna
Nordeste do Brasil, 9 de junho de 2008

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O Encanto da palavra na terra dA KARI - OCA
Cássio Potiguara
Cinco anos fazia que o Grande Chefe Munduruku tinha partido de suas terras em direção a terra dos Tamoios na grande Kari-oca em busca da Palavra escrita, o mesmo havia descoberto a força deste encantamento, com os sábios ancestrais que dominava o poder da oralidade “palavra falada”, entretanto a palavra escrita encontrava-se nas Terras da Kari - oca terra de Tamoios e Guaranis.
O Bravo Munduruku seguiu em sua jornada que levou aproximadamente cinco anos, entre a chegada na terra da Kari - oca e o decifrar da palavra escrita, e depois de cinco anos passado, vários encontros com guerreiros de povos de lugares distintos e muito trabalho na busca da decifração da magia em torno da palavra escrita, Munduruku resolveu convocar guerreiros de todos os lados de vários povos para que junto com ele pudesse desfrutar da magia da palavra escrita.
Foi desta forma que os Wapixana, Maraguá, Whaikon, Guará, Tuyuka Potiguara, Krenak, Jabuti, Bororo, Umutina, Terena, Guarani entre outros. Chegaram de toda parte à terra da kari - oka. Muitos já tinham ouvido falar, outros até já havia se aventurado na magia da palavra escrita, porém todos perceberam que a palavra só ganharia força se todos se unisse para compreender e utilizar a magia da escrita para o bem dos Povos indígenas.
Durante uma semana na grande planície dos Tamoios ou no monte da Kari – oca, os guerreiros aprenderam com quem sabia mais, trouxeram suas experiências dos cantos mais longínquos: da mata ao serrado, do litoral ao sertão. Após uma semana de muito debate, encontros e troca de experiência os guerreiros retornaram para suas terras e para seus povos, atravessando mares, rios, montanhas e planícies.
Entretanto daquele momento em diante os guerreiros não era mais os mesmos, consigo levaram um pouco mais sobre a magia da palavra escrita, tinha chegado a hora de levar as boas novas ao seu povo e aos povos irmãos . e se comprometendo que no próximo outono voltariam as terras da Kari – Oca para mais uma vez desfrutar da magia da palavra escrita.
Cássio Potiguara

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COMPROMISSO COM OS DIREITOS E A CULTURA INDÍGENA começa com a compreensão da importância da linguagem oral e escrita dos povos indígenas. Indígenas vão conquistando seu espaço e abrindo um leque de opções para o exercício dos direitos humanosdos povos indígenas.

ELIANE POTIGUARA
Fellow da Ashoka
Observatório da Mulher Indígena
INBRAPI/Inst.Bras.Propriedade Intelectual
Membra Fundadora del Enlace Continental de Mujeres Indígenas
Associação Mulheres pela Paz

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3 respostas to 'DEPOIMENTOS SOBRE O ENCONTRO DE ESCRITORES INDÍGENAS'

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  1. graça grauna disse,

    on 10 de Junho de 2008 @ 10:34

    Eliane Potiguara, querida irmã de luta: nunca é demais repetir que estou muito agradecida a Nhande Rú, em primeiro lugar, a vocês todos (Alvaro Tukano, Daniel Munduruku, Ailton Krenak, você e tantos outros) que fazem o Inbrapi e o Nearin. Aprendi muito no encontro e coloco-me aprendiz, sempre, para o que der e vier. Obrigada por tudo e para sempre. Saudações nativas.

  2. Rosa Caloiero disse,

    on 10 de Junho de 2008 @ 17:03

    Nós da Escola Indigena Estadual Guarani Karai Kuery Renda, em Angra dos Reis,Sala de EXtensão Tava Mirim em Paraty-Mirim e a Sala de EXtensão Karai Oka em Araponga- Paraty.
    Gostamos muito do Encontro,participamos escutando,observando,conversando e até nos interessando pela Escrita,
    O encontro entrou no Projeto Pedagógico da Escola.(atividades índigenas fora da Aldeia.
    Emocionante a foto no final do Encontro,principalmente o gesto do Daniel Munduruku chamando os GUARANIS para a foto INESQUESÌVEL.
    Vamos fortalecer as ações

  3. Ras Adauto disse,

    on 11 de Junho de 2008 @ 11:43

    Nao estive presente, mas minha águia-espírito estava lá.
    E me contou tudo. E as plavavras e os ritos que lá fizeram,
    voaram com o vento e vieram até onde eu estava. A magia poderosa
    e a palavra recitada dos índigenas presentes a esse encontro
    ressoam no meus ouvidos, mente, corpo e coracao.
    O Brasil nao sabe a riqueza que tem. Já foi tempo em que colonizadores ou os pretensos donos do Brasil achavam que índio era bicho e nunca poderiam imaginar que um dia um índio ou uma índia seriam grandes escritores/as, poetas, políticos/as, advogados e líderes de seus povos. Hoje, nao. Se assim ainda pensam e agem, sao os pobres coitados, iludidos por uma civilizaco doente e mesquinha. O Condor voa alto e a floresta ferve.
    Há uma nova mentalidade no país, quer queiram quer nao.
    Minha águia-espírito me contou tudo e eu ouvi e guardei dentro
    de mim para sempre, para contar a quem quiser ouvir…

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