Não descendemos de fracos!
No dia 23 de abril teve inicio em Nova Iorque a 7a. Sessão do Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indigenas, que terminará no dia 30.04.2008.
Diversas lideranças indigenas estarão participando como Fernanda Kaingang, Mestre em Direito, Joenia Wapichana, Premio Reebok e Marcos Terena, líder indígena.
A questão indigena brasileira entra em pauta novamente, de um lado concretamente diante da realidade enfrentada pelas autoridades brasileiras na definição da demarcação da terra em Roraima para Wapichana e Macuxi, a área Raposa Serra do Sol, cujo decisão é de competencia do Presidente Lula da Silva, que em sua morosidade vai fortalecendo a força do inimigo, mas que encontra uma forte muralha diante da resistencia desses irmaos indigenas.
Uma outra questão é o tema da internacionalização da amazônia que foi ressuscitado pelos ideais conservadores e racistas contra os direitos indigenas, principalmente nesse momento quando conseguimos após 22 anos de debates, compartilhando essas demandas com o Ministerio das Relações Exteriores, uma Declaração da ONU sobre os Direitos Indigenas.
Nós como fundadores do primeiro movimento indigena no Brasil, a União das Nações Indigenas, aprendemos desde cedo e ainda jovens em Brasília, a discernir opiniões de personalidades e agentes infiltrados para confundir e promover a dessarrumação de conquistas, de pensamentos e estratégias do estado e governos, sejam eles parlamentares, padres, pastores, funcionarios civis e militares do governo e inclusive de entidades de apoio. Todas as demarcações de terras como as mais dificeis e impossiveis, como a dos Apinajé no Bico do Papagaio e dos Yanomami em Roraima, foram trabalhadas em duas vertentes: de um lado esse tipo de análise que tende a influenciar indigenas irmãos e a opinião publica em geral e outra, de como avançar dentro do próprio governo, onde sempre encontramos apoiadores influentes também oriundos dessas mesmas camadas acima citadas.
Por isso, quando ouvimos na recente reunião de Lula com representações indigenas, ao transferir para o Presidente da Funai essa responsabilidade de encarar e solucionar tamanha questão, temos que observar que a Funai por maior esforço que faça inclusive sob risco de sua própria saúde, o Presidente Marcio Meira, sem qualquer poder institucional politico, fica claro que a responsabilidade maior de ganhar todas essas questões é e sempre foram das lideranças indigenas e seus povos.
Assim, quando estivermos diante dos microfones das plenárias do Fórum Permanente na ONU, caberá a nós apresentar encaminhamentos de decisões indigenas e não apenas reclamações contra o governo Lula ou o Comando Militar da Amazonia, já que a maioria dos participantes indigenas nessas reuniões também apresentarão demandas realisticas de cada região, que inclue assassinatos, guerras intertribais e até mesmo, a questão politica da Bolivia, de maioria indigena.
Para terminar, não se deve esmorecer diante desses desafios ou buscar soluções que não atendam as expectativas de nossas aldeias, pois é dentro da comunidade que está nossa responsabilidade maior como articuladores, lideres e indigenas também. No ano de 1981, o mais temido General do Governo Militar, de altissima inteligencia, Golbery do Couto Silva, apresentou argumentos de tres páginas determinando a Funai, a expulsão de 15 estudantes indigenas de Brasília sob argumento de que eram “cobras que picariam o governo” futuramente. Quem seria capaz de contrariar essa determinação naquele tempo? Ninguém, ou melhor, apenas nós os indigenas. Assim se juntaram Raoni, Megaron, Aritana, Mario Juruna, Deputado José Costa, Deputado Marcio Lacerda, Advogado Sepulveda Pertence, Advogado Mauricio Correa, Jornalista Memelia Moreira da Folha, Jornalista Shiran do JB, Sonia Braga e até a CUT por intermedio de um sindicalista chamado de Lula por seus companheiros. Mas a força principal era da consciencia indigena que de 15, diante de proposta de empregos e bolsa de estudos em cada região das etnias, foram reduzidos a sete, incluindo os dois mais jovens, Idjarruri Karajá e Paulo Bororo, todos já falecidos.
Como no dizer de um grande chefe Tupinambá: “Não descende o forte, do fraco!”
M. Marcos Terena
Director del Memorial de los Pueblos Indígenas
Miembro de la Cátedra Indigena Itinerante
INFORMA GRUMIN/REDE DE COMUNIAÇÃO INDÍGENA