09 de Agosto – Dia Internacional dos Povos Indígenas, com Consciência!
(*) Marcos Terena
Quando tomamos consciência como indígenas de que as Nações Unidas reconhecem a existência dos Povos Indígenas, não devemos nos esquecer que esse espaço não foi um legado do mundo colonizador, mas uma conquista indígena. Por isso, mais do que comemorar o dia 09 de Agosto como o Dia Internacional dos Povos Indígenas,
devemos celebrar o heroísmo e o idealismo de grandes guerreiros que encurralados pelos avanços do homem branco colonizador, buscaram na sede da ONU em Genebra, os direitos humanos indígenas, geralmente silenciados, marginalizados como selvagens, incapazes e até mesmo, como seres sem almas.
Genebra que durante o mês de Julho a cada ano, se tornava uma tribuna oficial para mais de mil indígenas, ia gerando na sociedade local reflexões e grandes debates sobre conhecimentos tradicionais, interculturalidade, soberania, livre determinação, direito a terra e a proteção ambiental.
Paralelo a isso, aqui no Brasil também os lideres indígenas foram se gabaritando para os novos cenários de debates, impondo-se como protagonista e realizando grande conferencias para mostrar ao sistema de governo a existência de povos distintos, de línguas variadas e com direito a cobrar uma dívida que não admite moratória.
Atualmente existem mais de 200 organizações indígenas no País, mas tudo começou em Brasília com 15 estudantes indígenas e uma equipe de futebol chamada União das Nações Indígenas, que no momento de pressão da ditadura militar sob a ameaça de serem expulsos em nome da proteção, organizaram o primeiro movimento indígena com independência e consciência política. Um grupo de índios que sabia o que falava e o que queria.
Hoje em dia também, é crescente a presença indígena mais no cenário internacional do que na elaboração de um plano nacional de governo.
Somente neste ano de 2007, indígenas do Brasil com conhecimento e domínio da matéria em pauta, viajaram a Filipinas, Equador, Nova Iorque, Washington, Bolívia e Suíça, para debates direitos sobre a proteção dos conhecimentos tradicionais e a biodiversidade, mudanças climáticas, indicadores de proteção ambiental e uso dos recursos naturais, proteção dos conhecimentos tradicionais, cultura, educação intercultural e saúde.
Apesar dos esforços dessas mesmas lideranças em oferecer seus testemunhos e contribuição na formulação de políticas publicas nacionais, o atual governo brasileiro tal como um parasita, não permite a inclusão de interlocutores indígenas nas mesas de negociação.
Apenas como exemplo, aproveitando a febre do Pan.2007, no dia 02 de Agosto, o Ministério do Esporte, administrado por um negro e ex-presidente da UNE, publicou no Diário Oficial a apropriação oficial de um projeto indígena, os Jogos dos Povos Indígenas, criando um grupo de trabalho interministerial para organizar o evento, como se isso fosse apenas mais um programa de governo ou um campeonato indígena, onde todos se reúnem e jogam para deleite do homem branco. Primeiro que os Jogos dos Povos Indígenas nasceu inspirado por um indígena desde 1996, quando foi realizado o I JPI com apoio de Pelé na cidade de Goiânia, e agora, deveria acontecer em Pernambuco como homenagem aos povos indígenas da região, com apoio do Governo Eduardo Campos. Numa estratégia de anulação e num circuito identificado pelo movimento indígena como do PCdoB (Ministro Orlando Silva, Secretario de Esporte de Pernambuco, Nelson Pereira e a Prefeita de Olinda, todos do mesmo partido), organizaram uma reunião para definir esse evento na maior cara de pau, e depois de tudo decidido convocar a Apoine e a Funai, para “trazer” os índios, e assim justificar a falta de compromisso com a causa indígena.
Situações como essas devem despertar nossa revolta e nossa indignação e mais do que nunca nós como parte do movimento indígena, devemos relembrar as conquistas indígenas sim nesse 09 de Agosto, mas jamais permitir que o homem branco continue falando por nós, tomando nossas idéias e mantendo uma postura de “grande pai”. Esse tempo já acabou, mas compete a nós indígenas, fomentar, divulgar e fiscalizar essas ações racistas e preconceituosas.
(*) Marcos Terena - Indígena do Pantanal, Gerente do Memorial dos Povos Indígenas é membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz e da Cátedra Indígena Internacional.
Informa GRUMIN/REDE DE COMUNICAÇÃO INDÍGENA
on 14 de Agosto de 2007 @ 17:05
Valeu companheiro Marcos Terena!!! É emocionante! Dá para vir as lágrimas esta tua gana, força, fé, conhecimento, trajetória e conquistas,- mas é de celebração e de ficarmos de olho nas manobras, nas tocaias, nas lábias ferinas, nos gestos de “homens bons”!… Chega!
Abá am iõ-te! “Índio vai continuar de pé!
Ademario Ribeiro
on 28 de Abril de 2008 @ 15:42
admirado Marcos terena pela sua força de vontade e cultura por ser qum tu es e ter conceguido o que conceguiu pelo seu conhecimento e sua teoria….. tudo posso naquele que me fortalece….
on 11 de Agosto de 2008 @ 14:48
Caro amigo MARCOS
Parabéns pela sua atuação !
Fico muito feliz que os próprios INDIOS estejam se incumbindo de se levantar perante a população do mundo !
Estou em Goiânia mas em breve retorno à Brasília e pretendo ir fazer uma visita ao Memorial - onde a INUKÁ me disse que você está trabalhanco.