A ignorância é o princípio de toda tragédia e sofrimento humanos

Enviado em Questão Indígena, ESCRITORES INDÍGENAS, OPORTUNIDADES LITERÁRIAS de GRUMIN | 24 de Maio de 2007 @ 15:04
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EDITORIAL DE MAIO/JUNHO:

Dia 23 de maio de 2007 deu início a Feira do Livro da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil), no Museu de Arte Moderna (Mam), Rio de Janeiro.
Após anos de trabalho e batalha, o escritor Daniel Munduruku tem conseguido um espaço nessa anual Feira, porque ele_além de ser um professor indígena, recentemente formado em doutor em Educação_ escreveu mais de 20 livros. Realmente é um guerreiro das Letras!
É justo que ele esteja ali abrindo esse espaço,

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através do 4º Encontro de Escritores e ilustradores indígenas, conquistando para o futuro a visibilidade de uma literatura de cunho indígena formada no seio da oralidade dos povos originários, ou criada na imaginação artística de um ser indígena ou descendente.Por outro lado, além de contar as histórias dos ancestrais, Daniel e os/as escritores indígenas criam seus textos, de forma holística, cosmovisionários. Portanto são verdadeiros seres iluminados e artísticos, com toda a sua capacidade voltada para as ARTES. Apesar de serem artistas, não deixam de ser políticos no sentido universal da palavra, isto é, o contrário do sentido atual , onde o termo político está vinculado aos partidos políticos. O artista é um iluminado por natureza, ele pensa, cria, produz e viaja nas asas da imaginação e quase não é compreendido em suas idéias.Geralmente um escritor nunca tende para carreira da política partidária, porque suas convicções não combinam com cenários politiqueiros, atualmente conflitantes.O escritor prefere a ética e a utilização da palavra como elemento de iluminação.

Geralmente o reconhecimento ao ser criativo só chega após a sua morte. Assim aconteceu com a maioria dos escritores e artistas no mundo inteiro.Muitos escritores morreram pobres, abandonados, tristes ou enfermos. Temos muitos exemplos na história da literatura e das artes brasileiras.Temos que mudar esse cenário! O Ministério da Cultura precisa avaliar mais os seus artistas e apoiá-los, principalmente aos escritores e artistas indígenas.

O povo brasileiro não valoriza a leitura, porque não é ajudado a valorizar. Se as pessoas lessem mais, suas mentes seriam mais abertas e essa tal intolerância e incompreensão sumiriam da face da terra.A ignorância é o princípio de toda tragédia e sofrimento humanos.Ela é também a mãe da miséria e da incompreensão.Devemos iluminar nossas mentes com a leitura para o fortalecimento do bom caráter para estabelecermos uma sociedade justa e sincera. A luz existe para quem quer ver, para quem quer iluminar-se. Por isso o ditado popular que diz: ” O maior cego é aquele que não quer ver”. Às vezes ele está vendo, mas não está enxergando, por competição, covardia, arrogância e desamor ao próximo.

Todo movimento nasce num grão de areia, é assim o Núcleo de Escritores Indígenas do INBRAPI. Temos que conseguir nos próximos anos trazer mais escritores indígenas do país. Agora não foi possível, tudo é muito difícil, mas sensibilizando setores a cada ano, novos e novas pessoas estarão conosco, e o espírito da Criação estará certamente, se tivermos essa compreensão de compartilhar as idéias com o Brasil inteiro.

O movimento nasceu, é um bebê ainda, mas com a visão e a adesão dos leitores desse pequeno artigo, esse movimento conseguirá que muitas mentes intolerantes possam compreender os objetivos transcendentais da leitura e o bem que a boa leitura faz ao coração. A boa leitura abre a mente, faz ver as diferenças, faz ver os nossos erros, as nossas dúvidas, as nossas intransigências, os nossos desrespeitos ao próximo, o nosso espírito de vingança, o desamor, a deslealdade, a arrogância, a intolerância e o racismo.A boa leitura faz ver um MUNDO NOVO e promove a fé, a esperança, a paz e o amor.

Minha iletrada avó indígena, vendedora de bananas e imigrante no Rio de Janeiro, sem saber, me fez escrever suas cartas ditadas quando eu tinha 6 anos de idade.Ela não lia letras, lia a filosofia dos anciãos e anciãs. Eu, menina e inocente viajava naquelas letras que iam e vinham da Paraíba.Minha mente foi formada nesta cosmovisão. Dessa forma agradecemos aos nossos ancestrais pelo que somos!
Eliane Lima dos Santos ( Escritora Eliane Potiguara) 57 anos, professora.
www.grumin.org.br
www.inbrapi.org.br
www.elianepotiguara.org.br
INFORMA GRUMIN/REDE DE COMUNICAÇÃO INDÍGENA

6 respostas to 'A ignorância é o princípio de toda tragédia e sofrimento humanos'

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  1. Francisco Ramos da Silva disse,

    on 24 de Maio de 2007 @ 18:21

    Parabens pelo trabalho que está sendo desenvolvido.
    Francisco

  2. Carla disse,

    on 25 de Maio de 2007 @ 09:28

    Parabéns pelo trabalho.Carla

  3. Miryám Hess disse,

    on 27 de Maio de 2007 @ 12:17

    Cara Irmã Eliane:

    De fato “O Ministério da Cultura precisa avaliar mais os seus artistas e apoiá-l@s, principalmente @s escritor@s e artistas indígenas”.

    Precisamos dar mais visibilidade à literatura indígena, talvez via SEPPIR para se abrir mais espaço no Ministério da Cultura.

    Abraços de LUZ!
    Miryám.

  4. Gastão Marques disse,

    on 28 de Maio de 2007 @ 10:53

    Parabéns pelo belo trabalho, é preciso dar voz aos sem voz.


  5. on 28 de Maio de 2007 @ 17:55

    Amigos:

    En lo personal, considero un verdadero lujo para el Museo de Arte Moderna de Río de Janeiro que tenga el privilegio de contar, entre los participantes en la Feria del Libro -que inició el 23 de mayo- al Doctor en Educación DANIEL MUNDURUKU.

    Sucede que no es frecuente que haya en ningún país personalidades tan prolíficas en el mundo cultural, pues Daniel es ya el autor de 20 libros, y a futuro nos seguirá deleitando con su talento.

    Ahora, permítanme amigos invitarlos a ver el asunto desde la óptica inversa, es decir del modo apropiado: No es un privilegio para un nativo como Munduruku el haber sido invitado; sí lo es para los invitantes, quienes -por fin- han sabido reconocer el talento creativo personificado en un nativo, descendiente de los primigenios habitantes de Brasil.

    Como bien lo señala Eliane Lima dos Santos (Eliane Potiguara), Daniel Munduruku es: ¡Um guerreiro das Letras!

    Corresponde a su bravura el pertenecer al selecto Núcleo de Escritores Indígenas do INBRAPI, de donde procede la mejor literatura que se está haciendo actualmente en el gran país amigo.

    Reciba usted, mi querido y respetado maestro Daniel Munduruku, el abrazo fraterno de su hermano Igor Calvo.

  6. Anonimo disse,

    on 4 de Junho de 2007 @ 14:05

    Ou não, como diz Caetano….
    O conhecimento é quem nos tirou o paraiso….onde todos eramos felizes…ou não…eramos o ultimo élo ada cadeia alimentar, simplesmente.

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