Racismo às mulheres indígenas: Presente do 8 de março!
Quantas mulheres já perderam suas vidas por descaso, desconsideração, intolerância, racismo, descuido, esquecimento, desprestígio, desqualificação, invisibilidade entre outras categorias?
Quantas avós, tias, mães, primas perdemos?
Eu perdi minha pobre mãe, vítima de contaminação de hepatite C, por ocasião de uma histerectomia total num hospital público, em 2001. Perdi minha avó pela tristeza do desterro indígena paraibano, vítima do alcoolismo e da pneumonia em 1976. Perdi tia-avó por hemorragia uterina em 1960 e eu me salvei da anemia e da tuberculose na pré-adolescência e dos tumores na garganta e na mama, hoje benignos.
Milhares de mulheres indígenas passaram por esses casos completamente invisíveis, tendo seus direitos humanos violados!
Os séculos vão se passando, as tecnologias vão se aprimorando, os armamentos bélicos vão ficando cada vez mais sofisticados, as lojas, os shoppings, as grandes empresas cada vez mais douradas, a mídia fortalecendo esses segmentos e a própria mídia extremamente fortalecida por si só. É uma força total.
O Bem e o Mal estão aí para análise da sociedade. A violência impera nos segmentos da sociedade brasileira e se estende pelo mundo e vice-versa.
Depois da ditadura militar os movimentos sociais voltaram a se organizar, as Ongs foram criadas para suprir as demandas do povo e fazer aquilo que era e é de obrigação governamental. Os programas internacionais que apoiaram Nelson Mandela para que ele saísse da cadeia e acabasse com o racismo no mundo, não apóiam mais, se viraram para outras demandas, introjetaram que o racismo já havia acabado.O RACISMO NÃO ACABOU EM LUGAR NENHUM! Principalmente no que diz respeito aos povos indígenas e em particular a mulher indígena. Os casos recentes estão na imprensa nanica, na mídia digital e até na grande imprensa, objetivando sensacionalismo e acumulação de recursos financeiros em detrimento da desgraça humana.
O GRUMIN-ON-LINE publicou na semana do 8 de março de 2007 o triste caso da índia wapixana. Vejamos:
‘Tudo começou com o falecimento da minha mãe no dia 27 de setembro de 2006. Minha mãe era professora da UFSC e índia sa etnia Wapixana do Norte de Roraima. Durante uma cirurgia de histerectomia vaginal (retirada do útero), realizada por um médico negligente ela veio a falecer.
Minha mãe era mestre em História Indígena e preparava-se para defender sua tese de dissertação. Suas pesquisas estavam iluminando aspectos ocultos da história da região de Roraima e fortalecendo a lutas das comunidades indígenas por seus direitos.
Acreditamos que houve racismo para com minha mãe durante o ato cirúrgico e que o médico não deu a devida importância para a pessoa de minha mãe.
Agora, minha família e eu estamos conversando com as entidades que possam nos ajudar, enviando uma carta de apoio a esta causa para nós. Esta carta ficará anexa ao pedido de esclarecimentos do caso ao Ministério Público e ao CRM. 9 (veja carta em GRUMIN –on-line ed. 8 de março http://blog.elianepotiguara.org.br
Gostaria de sua ajuda caso seja possível.
Um abraço
Iracema Wapixana
Essa é uma história de uma moça indígena que teve a coragem de anunciar sua indignação diante da medicina burguesa.
Eu tenho dito há duas décadas para que as mulheres indígenas criem suas organizações, inclusive dentro de suas próprias casas. Eu espero que tenham me ouvido porque , depois do nascimento jurídico do GRUMIN em 1987, muitas mulheres abriram suas organizações. Isso significa que eu estava certa quando me vi por louca durante uma década em que tentaram destruir minha imagem, meu ser, meu coração, minha alma, minha luta. E EU JÁ DIZIA :
‘Não se seca a raiz de quem tem sementes
Espalhadas pela terra pra brotar.
Não se apaga dos avós - rica memória
Veia ancestral: rituais pra se lembrar
Não se aparam largas asas
Que o céu é liberdade
E a fé é encontra-la.
Rogai por nós, meu pai-Xamã
Pra que o espírito ruim da mata
Não provoque a fraqueza, a miséria e a morte.
Rogai por nós - terra nossa mãe
Pra que essas roupas rotas
E esses homens maus
Se acabem ao toque dos maracás.
Afastai-nos das desgraças, da cachaça e da discórdia,
Ajudai a unidade entre as nações.
Alumiai homens, mulheres e crianças,
Apagai entre os fortes a inveja e a ingratidão.
Dai-nos luz, fé, a vida nas pajelanças,
Evitai, Ó Tupã, a violência e a matança.
Num lugar sagrado junto ao igarapé.
Nas noites de lua cheia, ó MARÇAL, chamai ““.
(…)
(Eliane Potiguara)
Trecho do cântico: ORAÇÃO PELA LIBERTAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS
Veja Texto completo em : http://www.elianepotiguara.org.br/canticos.html
INFORMA GRUMIN/REDE DE COMUNICAÇÃO INDÍGENA
on 5 de Março de 2007 @ 08:41
Eliane, ficamos muito tempo sem ter contato. Posso perceber que voce continua firme, inexorável na sua luta. Parabens! Sempre tive uma profunda admiração por voce como mulher. São poucas. Quanto a mim, tive nestes ultimos 22 anos, quando voce ainda estava montando o GRUMIN e se não me engano a CASA MARÇAL TUPÃ uma trajetoria meio complicada. Achei uma filha de 11 que mora em São Paulo (hoje ja tem 17), me internei duas vezes por conta do alcoolismo e gerei umoutro filho com 3 anos agora. São ao todo 5 filhos e três pensões. Uma das pensões vai para a mãe dos três mais velhos, que ao contrario de você, prefere viver do sustento do que lutar pela dignidade. Minha mãe esta com Alzheimer. Contraiu a doença no ano retrasado. Ainda está no estagio intermediario, mas é uma luta que vou ter que enfrentar. Minha irmã, apesar dos 53 anos de vida ainda não criou juizo. Vive colidindo comtodos, tentando fazer com que a vida aconteça de acordo com os desejos dela. Ela diz que é Deus e que sabe tudo! Estou morando em Contagem. Ainda continuo me tratando, me previnindo de uma possivel recaída alcoolica. Não quero mais isso para a minha vida. Em janeiro, dia 18, completei 7 anos sem beber. Isso é uma grande vitória! Estou estudando belas artes na UFMG, pretendo ser arte-terapeuta uma vez que devido a minha aposentadoria por invalidez devidoa ao álcool, não posso mais assinar doumentos que se referem à engenharia. Não importa. Sei que o nosso Xamã não esuqecerá de olhar por mim. Afinal tambem sou um filho dele. Apenas minha historia de sangue indigena se perdeu em algum lugar que ainda não consegui localizar. Tenho minhas raizes plantadas no interior de Minas, no Pará e na Paraíba. Com certeza tenho o sangue dos índios correndo nas minhas veias. Não sei se voce ainda se lembra da poesias que eu fiz e que recitamos no bar Amarelinho atraves da voz do Pedro Gaúcho. Nesta poesia eu encarnava a personalidade de um invasor que convencia os aborigenes a ceder sua força de trabalho e suasmulheres aos meus interesses. Eliane. fiquei durante muito tempo alheio às questões sociais. Por força do meu alcoolismo tive que me retrair para que não acontecesse comigo o que aconteceu com tantas pessoas vitimas desta terrivel doença que acomete cada vez com mais intensidade, indistintamente, crianças, jovens e velhos no nosso país. Estou indigando com o governo Lula. Acreditei que este moço iria, aos moldes do presidente Hugo Chaves, conduzir nosso país para a transformação de que nossa sociedade esta necessitando. Lembra quando voce deixava seus filhos no CIEP para ir trabalhar? Pois é eram 500! Hoje estao todos sucateados graças ao ex-governador Marcello Alencar e sua trupe de assaltantes do cofre público. Imagina se voce precisasse hoje contar com uma escola pública em que voce podia deixar seus filhos e os pgava ao final do dia alimentados. Eliane, andei em fevereiro pelo sul da Bahia (Alcobaça, Nova Viçosa, Prado Caravelas). Vi muita coisa. Vi a miséria na qual o pove daquela região esta submetido. Este programa de incentivo dado pelo governo Lula (um desses auxilios que el criou) ao inves de dar dignidade ao cidadão, exorta-o a ficar a margem da luta social e do crescimento espiritual. Quem não tinha nada, hoje ganha um salario minimo sem fazer nada. O resultado é que as pessoas que recebem esta esmola não querem trabalhar. Me lembro do Lula fazendo um discurso para sua primeira eleição quando dizia que, quando estivesse no governo não iria dar o peixe, mas ensinar como pescar. Não cabe mais em mim tanta indignação. Visitei acampamentos de sem-terra. Um em Teofilo Otoni e outros dois no sul da Bahia. Visitei tambem a reserva do Monte Pascoal. Achei que nossos irmãos daquele parque estão impregnados pela visão capitalista (não podia ser diferente), individualista e competitiva, portanto. diferente do movimento dos sem-terra, a comunidade indigena não tem uma conscientização política e uma unidade dentro da sua sociedade. Eles me disseram que não tem memoria da lingua materna. As casas dos indios são muito isoladas. Tive a impressão que eles vivem num mundo individualista, sem proposta. E que os únicos valores deles são a terra que eles ocupam, o fato de serem indios e a exploração da venda de artesanatos e o transporte de bugre da ponta do Corumbau até Caraíva po rR$ 120,00 cada viagem. Com certeza isto não é o suficiente para manter o direito de construir uma sociedade forte e justa. Naquela região muitos empreendedores estrangeiros estão negociando grandes areas no litoral a milhões de dolarese, quando não conseguem comprar implementam os limites de suas cercas de acordo com suas vontades. É o que está acontecendo na ponta do Caí. Uma tal de dona Bela expandiu suas terras de modo que a visita ao centro histórico daquele lugarejo enconrtra-se impedido pelos seus rifles e capangas. Eliane fico imaginado o que será das nações indigenas que habitam nosso ainda vasto território amazonico. Tomei a decisão de, se um dia for construir uma casa jamais utilizar madeira da floresta na construção. Os incendios e a derrubada da floresta amazonica em nenhum governo aconteceram de forma tão intensa como acontece hoje no governo Lula. A ministra do meio ambiente deve ser uam excelente dona-de-casa, mas não demonstra nenhuma autoridade para coibir a destruição da maior floresta tropical do planeta. Voce pode imaginar o que acontecerá com os indios daquela região em um futuro não muito distante né? Prostituição, agressões, doenças, miseria, entre outras coisas. Não sei se estou sendo pessimista ou realista.O fato é que estou sentindo que não existe uma preocupação social neste governo Lula. Quinta-feira teremos a ilustre visita do presidente Bush. O que ele quer aqui? Perdoar o Brasil pelo individamento de quase um trilhão de dolares? Ajudar na construção de um Brasil mais justo? Acabar com a violencia e o trafico de drogas? …ou simplismente tentar neutralizar a influencia do presidente Chaves na America latina como sucessor de Fidel Castro e de Simon Bolivar. Querida outro dia estive pensando nas palavras de Marx. Imperialismo, a ultima etapa do capitalismo. Acho que estamos vivendo os ultimos dias de um sistema que não pode vingar. O capitalismo é auto-fágico e não tem sustentação. A China cresce assutadoramente! Já pensou 1 bilhão e 300 milhões de pessoas querendo consumir como os americanos? De onde tirar tanta materia-prima para produzir veiculos, video-cassetes, televisores para tanta gente? Temos que repensar tudo isto. O planeta é sensivel. Há lugar para todas as pessoas. O que não há é lugar para uma sociedade consumista e competitiva, onde cada um tenta acumular sem limite. No meumodo de ver a voracidade de consumo, preenche um vazio existencial e as pessoas acreditam, se sentem mais seguras quando conseguem acumular. esta atitude, reforçada pela midia, é uma grave doença emocional, comparavel ao alcoolismo e a drogadição porque passa como sendo umdesafio, a prova de que as pessoas so serão bem sucedidas se um dia acumularem valoeres materiais para exercerem o ócio e deixarem como herança para seus descendentes. Obrigado por ainda se lembrar de mim e me desculpe se me excedi no meu texto. mas este numero de linhas se diluidos pelo numero de anos em que estivemos distantes não chega a ser sobejo. te desejo um grande abraço. Eliane, como gostaria que um dia os corações e mentes de um maior numero de pessoas pulsassem com a determinação e coerencia de seus pensamentos. Obrigado por voce existir. Sou muito feliz por um dia ter conhecido você!
on 5 de Março de 2007 @ 21:38
8 de março.
Vamos unir e combater a violência contra as mulheres indigenas no Brasil, chega de desrepeito,racismo e intolerancia já!
Primeiro o respeito precisa vir dos nossos próprios parentes indigenas e depois para poder cobrar dos caraiwa.
Débora Tan huare Bakairi MT
on 24 de Abril de 2007 @ 02:32
prezada débora
Assisti suas palavras no congresso nacional, fiquei emocionado e ao mesmo tempo,contente de ver pessoas como voce ,inteligente e corajosa,
estou torcendo por voce , continue estudando, voce é sábia, entre na área jurídica , vai desenvolver mais .Suas palavras são verdadeiras e vão atingir em cheio o coração dos políticos .Deus ajudem a todos voces, pois , são voces os donos da verdade.
joão augusto moreira da silva
on 21 de Setembro de 2008 @ 16:14
Eliane,
Ha um ano vivo na europa, ao norte da italia, e fui convidada a participar de uma conferencia sobre cultura, e o tema que escolhi foi “A mulher indigena” e fiquei emocionada em descobrir um mundo novo, feitas por mulheres guerreiras como voce, sei que por todo o nosso Brasil existem mulheres que usam a força da inteligencia.
Como dizem os italianos: Buona fortuna!
on 23 de Outubro de 2008 @ 19:04
eu acho uma falta de respeito e de ignorância .
on 19 de Novembro de 2009 @ 13:50
acho falta de carater!
on 19 de Novembro de 2009 @ 13:51
acho falta de caráter!