Qual o papel da LITERATURA INDÍGENA (Segundo round das respostas recebidas)

Iniciamos esse interação com o leitor sobre o assunto LITERATURA INDÍGENA. Colocamos à disposição um pré-texto ( ou pretexto) para implementar as discussões. Essa é a segundo round de respostas,

captadas na própria lista de LITERATURA INDÍGENA do yahoo, por pessoas sérias, envolvidas com o tema.
Vejamos o pré-texto:

A literatura indígena cumpre o papel de resgate histórico onde a oralidade foi perdida, de preservação cultural, de fortalecimento das cosmovisões étnicas.

O futuro escritor indígena deve ser já incentivado, na aprendizagem da Educação bilíngüe e Educação em geral, desde pequeno. O escritor indígena é o futuro antropólogo, aquele que vê, enxerga e registra. Povos indígenas devem caminhar com seus próprios pés.

Núcleos de pensadores e escritores devem ser também incentivados e capacitados dentro das Organizações indígenas, assim como muitas vezes, falou-se em discutir a questão de gênero, de raça e etnia nas Assembléias. Os problemas identificados devem ser imediatamente direcionados para estudos objetivando estratégias, mecanismos que busquem a solução das dificuldades, dos conflitos e das diferenças.

Quando a rosa desabrocha, as abelhas vêm espontaneamente sugar-lhe o mel. Deixemos que a rosa de nosso coração, de nossa alma e caráter desabroche completamente na sociedade brasileira, a partir de um testemunho de nossa capacidade, auto-gestão, diálogo e ética, para que essa sociedade desconstrua, rapidamente, o discurso e prática atuais que causam a exclusão de povos indígenas. Os resultados e o respeito aparecerão.Pensadores e escritores indígenas: Contem e criem então!

extraido do site: http://www.inbrapi.org.br/
texto elaborado por Eliane Potiguara
visite o site: www.elianepotiguara.org.br

casadeleitura - casadeleitura

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Segundo round de respostas:
Oi, Gente…
Como professora de Literatura Brasileira (UFPB) e estudiosa da
cultura tupinambá, resolvi meter minha colher na discussão sobre a
literatura indígena que existe sim - *sempre existiu* - e que espero que
seja cada vez mais enriquecida por vocês. Há um texto (excelente) do
crítico Luiz Costa Lima, *Por que literatura* (1969), no qual ele se
volta para o sentido da literatura na nossa atualidade.
Inicialmente, ele apresenta, numa perspectiva histórica, dois tipos
de literatura: a* literatura primitiva* cujos poetas tinham uma dupla
função social: a de construtor de mitos (narrativas) e a de intérprete
da realidade circundante. Assim, a literatura primitiva é, antes de
tudo, um meio de integração da comunidade, uma forma de se inteligenciar
a realidade circundante e a maneira com a qual o (a) poeta primitivo (a)
busca o entendimento de si no universo. O artista da sociedade primitiva
é, então, o porta-voz de sua comunidade.Para que não haja dúvidas, a
palavra “primitiva” em Costa Lima é repleta de positividade, pois segue
a linha do Pierre Clastres.
Com o surgimento da sociedade de classes, o poeta perde a função de
porta-voz de sua comunidade e passa a ter vínculos de classe, seja
porque pertença a ela, seja porque está a seu serviço, o que é mais
freqüente. Nesse novo contexto, é a cultura da classe dominante que tem
mais condições de se expandir. Surge, assim, a segregação e a
hierarquização cultural.
Não obstante a transfiguração do papel do poeta na sociedade de classes,
a literatura continua a ter, *agora como antes*, a tarefa de “atingir e
a de trazer na palavra a raiz das coisas onde se deposita a raiz do
homem”. Assim, a literatura se reveste da radicalidade humana, num
processo recíproco de permanência e mudança. Nesse sentido, torna-se
fundamental para o nosso país e o nosso povo, essa apreensão radical do
homem pelas vozes de nossos primeiros poetas, isto é, dos nossos poetas
indígenas. Então, vamos criar (como diz a irmãzinha Eliane Potiguar) ou
re-construir as nossas grandes narrativas encobertas pela barbárie da
ocupação e da colonização européia. Mãos à obra, por favor…….
Um grande abraço,
Wilma Mendonça
Segue a referência do texto de Costa Lima:
LIMA, Luiz Costa. *Por que literatura*.Petrópolis:Vozes, 1969.
INFORMA GRUMIN/REDE DE COMUNICAÇÃO INDÍGENA
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RESPOSTA DE OLÍVIO JEKUPÉ ( ESCRITOR INDÍGENA)
NÓS INDÍGENAS QUE SOMOS ESCRITORES TEMOS UM DOM QUE RECEBEMOS E QUE NINGUÉM TIRA DA GENTE E TEMOS QUE ESCREVER PORQUE ESTAREMOS AJUDANDO A NÓS , NOSSOS PARENTES E A SOCIEDADE EM GERAL, ESCREVER É BOM MAS TEM QUE SER BEM ESCRITO PARA O BEM DA HUMANIDADE.
AGORA CABE AOS LEITORES COMPRAREM NOSSOS LIVROS PARA QUE POSSAM LER E VER A QUALIDADE DE NOSSAS HISTÓRIAS E VER SUA IMPORTANCIA.
NOS ANOS DE 1984, EU ERA CRIANÇA E JÁ ESCREVIA, MAS NÃO VIA NINGUÉM DISCURSANDO SE ERA BOM O ÍNDIO ESCREVER OU NÃO, AGORA SURGIU ESSAS HISTÓRIAS, CLARO QUE É BOM O ÍNDIO SER ESCRITOR E ESCREVER SEU PENSAMENTO SUA HISTÓRIA…

INFORMA GRUMIN/REDE DE COMUNICAÇÃO INDÍGENA

8 respostas to 'Qual o papel da LITERATURA INDÍGENA (Segundo round das respostas recebidas)'

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  1. Igor Calvo/ Perú disse,

    on 6 de Fevereiro de 2007 @ 16:39

    La escritura define y defiende una cosmovisión determinada por la realidad o la ficción; y eso arte y es cultura.
    El hombre y la mujer nacidos en la inmensidad de la foresta amazónica (como es mi caso también) aprende a soportar carencias y disfrutar abundancia; es probado -desde que nace- por las tremendas fuerzas naturales que crecen más aún entre el boscaje. Después, muchas veces, tendrá que soportar persecución, incomprensión y racismo; la hostilidad en su propio país, del cual es dueño legítimo pero ignorado. La misión del escritor nativo es revelar la verdad, a partir de su propia experiencia. Escribir “desde adentro”, para que el mundo sepa juzgar y le conceda la razón, porque él la tiene. Seguramente Olivio Jekupé, entre otros hermanos, no accederá nunca al premio Nobel de Literatura, pero su obra iluminará el camino hacia la comprensión del mundo del amazónico y de sus etnias.
    Ahora que he mencionado el premio Nobel, quiero expresar que mi deseo sincero es poder apoyar para que se conceda esa distinción a una luchadora social por quien guardo admiración y afecto: Eliane Potiguara.
    Cuando sea el momento quiero formar parte de su avanzada en el Perú, para unir esfuerzos y obtener el premio Nobel para Eliane, para los nativos, para los sudamericanos. Ya Centroamérica tiene a la hermana Menchú, aquí queremos a Potiguara.

  2. kerexu Mirim disse,

    on 8 de Fevereiro de 2007 @ 07:17

    eu sou nova ainda, mas tenho um livro publicado e sei que nós índios, indias temos que estudar para termos força e lutar em defesa de nosso povo e também através da literatura podemos defender nosso povo.
    abraço a todos os escritores indígenas, sou guarani e tenho 11 anos.
    moro na aldeia krukutu- são paulo-sp

  3. Graça Andreatta disse,

    on 8 de Fevereiro de 2007 @ 09:52

    Muito bom. Sou professora de literatura, aliás, fui. Hoje coordeno a CDHAMA-Comissão Arquidiocesana de Direitos Humanos da Arquidiocese de Mariana-MG. Agradeço à vida ter-me caído aqui esta mensagem. Atuei um pouco com os guaranis e tupiniquins no Espírito Santo, especializo-me na vida do padre José de Anchieta e sua metodologia, às vezes vou ao Pico da Bandeira com os amigos do ES e aqui em Minas pouco tenho ouvido falar, na minha região, pois morreram todos os que tinham orgulho de serem nossos antepassados.Entretanto temos aqui pessoas, professores que já estiveram atuando no Xingu e a UFOP tem alguns desses professores.
    Um abraço e parabéns pela iniciativa.
    Com carinho
    Graça Andreatta


  4. on 12 de Fevereiro de 2007 @ 12:18

    Sou descendente de negros e índigenas, milito e sou coordenador do MNU-Movimento Negro Unificado no Estado de SP. Muito me orgulha estas duas origens, apesar do distanciamento que a vida impõe à população urbanos, sobre a existencia e a luta pela vida, por parte dos povos nativos do Brasil e das américas.
    O que me deu a dimensão dos crimes que o colonizador europeu praticou contra os povos indigênas no Brasil, foi o Livro “A confederação dos Tamôios”, um livro antigo e raro que possuo, e que se houver interesse desta instituição, terei o maior prazer em lhes enviar uma cópia. Daí a importância de uma literatura propria que possa expressar a singulariedade da nossa existencia, e que sirva para cultuar e preservar os valores, a historia e a cultura dos verdadeiros donos da terra, bem como incutir conciência e autoestima à juventude, respeito e orgulho por parte dos brasileiros, da nossa origem. Abraços Afro-indigena. Bispo

  5. alex disse,

    on 11 de Junho de 2007 @ 21:14

    sou gay e dai

  6. Raquel disse,

    on 14 de Junho de 2007 @ 08:40

    O que falar da literatura de um povo, que em pleno século XXI, ainda é tutelado pelo governo? Só posso dizer que o povo indigena de um modo geral, não levando em conta etnia, lingua e localização, como um todo, é uma raça cuja força e pujança transcende a primeira pergunta e a cada dia prova ser capaz, mesmo estando no meio dessa injustiça, continua forte e exuberante no nosso país e fora dele. Se depender de mim, mesmo sendo uma “juruá”, levarei em frente meu objetivo de dar voz aos que por tanto tempo foram obrigados a se calar, principalmente na questão literatura. Que o Criador esteja com cada um de vocês meus amigos.

  7. samanda vera disse,

    on 23 de Setembro de 2007 @ 20:02

    Gostaria e muito que todos nós brasileiros diferentes de raça pudessemos apresentar em nossas escolas a verdade sobre o índio americano no qual sofre violentas atitudes daqueles que acham superior a tudo e a todos, devemos lutar contra esta ignorância e apresentar o índio como ele é hoje.
    Eu tenho muito orgulho de ser parte de um grupo tão sufocado pela sociedade e nunca vou negar minhas origens, pois antes de tudo sou e sempre serei brasileira.

  8. negão disse,

    on 7 de Agosto de 2008 @ 20:24

    eu gostei do ALEX

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