Funai recebe índios, mas não resolve
Quase uma semana após invadirem a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Cuiabá,

um grupo de terenas conseguiu somente ontem ser recebido pela direção do órgão. Eles reivindicam cestas básicas por quatro meses, alegando que nesta época de chuvas as terras em que habitam ficam improdutivas. Cobram também a homologação e a demarcação de uma área de 52 mil hectares no município de Peixoto de Azevedo, para que sejam de fato desta nação.
Os terenas, que em Mato Grosso se fecham em apenas 75 famílias, ganharam destaque ao trancarem rodovias na luta por terra. O cacique Cirenio Terena diz que ainda não fizeram isso desta vez porque estão tentando negociar, mas já conta com o apoio dos caiapós e outras etnias se for preciso radicalizar.
Na reunião de ontem, o administrador da Fundação em Mato Grosso, Carlos Márcio, fez com a Procuradoria da Funai, um documento pedindo aos servidores que encurtem o recesso e voltem ao trabalho para resolver a situação dos terena. “Pedimos o apoio dos servidores e não vamos sequestrar ninguém”, afirma Cirenio.
Os acampados selaram que vão aguardar até as 8h30 e, se uma parte das reivindicações for cumprida, voltam para as aldeias hoje mesmo.
O grupo está em Cuiabá desde o dia 28 e virou o ano acampado na Funai, sem festa e na expectativa.
São das aldeias Kopenoty, Kuxonoty Pokee e Iriri Novo – todas do município de Peixoto de Azevedo. Adultos, adolescentes e crianças contam um pouco de como é a rotina por lá.
Wenderson Jorge Cruz, 7 anos, sai virando piruetas pelos corredores da Funai. Acostumado com a natureza, está se sentindo preso. Com o pai, a mãe e um irmão, de 12 anos, espera pela solução dos impasses que prejudicam seu povo. “Viemos para trancar a rodovia”, resume ele, perguntado sobre o que está fazendo em Cuiabá. O garoto conta que mora na aldeia em uma casa de alvenaria, onde tem luz elétrica, mas não televisão. Que acorda cedo e brinca de bola e pega-pega. “Lá na aldeia essa brincadeira chama gel”.
DIÁRIO DE CUIABÁ/KEKA WERNECK
INFORMA: GRUMIN/REDE DE COMUNICAÇÃO INDÍGENA