Programa de cotas começa em 2008

Enviado em Questão Indígena de GRUMIN | 31 de Dezembro de 2006 @ 15:06
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Instituição visa, dentro de dez anos, contar com 45% de seus alunos vindos da escola pública

Instituição visa, dentro de dez anos, contar com 45% de seus alunos vindos da escola pública
A UFSCar vai implantar a partir do vestibular de 2008 um sistema de cotas baseado em critérios socioeconômicos e étnico-raciais.
O Programa de Ações Afirmativas é um projeto pensado pela universidade desde 2004 e que tem como meta disponibilizar, ao fim de um processo de dez anos, 50% de suas vagas a estudantes egressos do ensino médio de escolas públicas. Desse percentual, 35% deverão ser ocupadas por alunos negros e 1% por indígenas.
Do vestibular do ano que vem até o de 2009, a reserva de vagas será de 20%, com a mesma fatia de 35% e 1% guardada para negros e indígenas. É o primeiro passo do programa, que será avaliado por uma comissão no decorrer de toda a sua implantação, conforme o planejamento da instituição.
De 2010 a 2013, a cota sobe para 40%, e daí para 50% de 2014 a 2016. Em 2017, ao completarem-se os dez anos de programa, “os colegiados superiores da UFSCar apreciarão, mediante a avaliação, a necessidade de sua continuidade, extensão ou a sua extinção”, como explica a própria universidade.
A UFSCar pretende, com isso, reajustar uma proporção histórica e corrigir injustiças do sistema de acesso ao ensino superior. Em 1994, 45% dos alunos que ingressaram na UFSCar vinham da rede pública de ensino médio (veja tabela nesta página). Esse número veio caindo sistematicamente até o último vestibular, quando chegou a 20,1%, segundo a universidade. Por outro lado, a proporção de formandos no ensino médio público no Estado de São Paulo é em torno de 87%, para apenas 13% da rede privada. É essa incoerência estatística que a universidade quer reverter.
“A UFSCar considera que por ser mantida com os recursos da população, da sociedade, tem o dever de contemplar toda a população no acesso à universidade, sem entretanto abrir mão do processo seletivo que adota”, argumenta a presidente da comissão de ações afirmativas e vice-reitora da UFSCar, Maria Stella Alcântara Gil.
Já o aspecto étnico-racial do programa é justificado por outra realidade, também comprovada em números. “Não é preciso entender estatística para verificar a desproporção entre a população negra e indígena e o acesso destes à educação escolar em todos os seus níveis”, defende a professora. Os números parecem dar-lhe razão. Segundo o IBGE, 35% da população do Sudeste brasileiro é negra ou parda. Já na UFSCar, só 13,5% dos ingressantes de 2005 o são.
O programa de ações afirmativas não deixa de contar com o vestibular como processo seletivo. As cotas são preenchidas pelos mais bem colocados na prova que se candidatarem no vestibular escolhendo a modalidade de reserva de vagas. [Folha de S. Paulo]
INFORMA GRUMIN/REDE DE COMUNICAÇÃO INDÍGENA

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