Índios denunciam discriminação no vestibular da UFMS
GRUMIN/REDE DE COMUNICAÇÃO INDÍGENA
26/10/2006
Índios denunciam discriminação no vestibular da UFMS
Fernanda Mathias e Paulo Fernandes/Campo Grande News

Índios vão ao MPF denunciar discriminação nos critérios do vestibular da UFMS
Um grupo de 10 índios terena de 9 aldeias de Sidrolândia e Buriti está neste momento no MPF (Ministério Público Federal) onde denuncia discriminação no processo de vestibular da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Eles representam 59 vestibulandos que ingressaram com pedido de isenção de taxa no processo seletivo, mas que não conseguiram preencher as exigências porque não têm a mesma documentação de quem está no meio urbano.
O entrave já começa pela falta de acesso à internet, ainda assim 39 conseguiram acessar o recurso e os outros protocolaram o pedido junto à Pró-Reitoria. O problema maior está relacionado aos documentos, especialmente a cédula de identidade. Os índios não têm o RG usual e sim a Carteira de Identidade Indígena expedida pelo Ministério da Justiça, através da Funai (Fundação Nacional do Índio) e cuja numeração não é aceita no modelo de inscrição da UFMS. Para poder enviar a ficha, eles tiveram que preencher com números fictícios.
As dificuldades não param por aí. Com familiares trabalhando no meio rural, muitos índios não conseguiram providenciar holerites e contas de luz e água, muitas vezes em nome de terceiros. A pró-reitora de Extensão Rosa Maria Fernandes de Barros, recebeu a queixa e protocolou a justificativa dos indígenas. Eles tentam isenção da taxa de R$ 80,00 já que são de famílias pobres que, inclusive, dependem de cestas de alimentos do governo.
Amâncio Vitório Delfino vive e trabalha como professor na aldeia de Dois Irmãos do Buriti. Ele teme que, assim como com a inscrição para pedido de isenção não consiga se inscrever no processo seletivo, por ter apenas o documento de identidade indígena. Para ele, os critérios estabelecidos pela UFMS são discriminatórios. “Parece que estamos em outro mundo” , lamenta.
O grupo assinou termo de declaração no CDDH (Centro de Defesa dos Direitos Humanos) Marçal de Souza e encaminhou a denúncia ao Ministério Público Federal. Agora eles são recebidos pelos procuradores Lauro Coelho Júnior, responsável pela área de Direitos Indígenas e Mauro Cichowski dos Santos, dos Direitos do Cidadão. Os índios querem que o pedido isenção na taxa seja considerado e a inscrição no vestibular também.
Informa: GRUMIN/REDE DE INFORMAÇÃO INDÍGENA
Para respostas clique no blog e va em publicações recentes, a que lhe interessar.