Indígenas protestam na porta da Funai
GRUMIN/REDE DE COMUNICAÇÃO INDÍGENA
25/10/2006
Indígenas protestam na porta da Funai
Antonio Viegas, Dourados/Correio do Estado

Cerca de indígenas, principalmente mulheres integrantes de 27 aldeias da região sul do Estado, estão desde a noite segunda-feira na frente do prédio da administração regional da Funai em Amambai. Eles protestam contra o descaso do órgão em relação à assistência ao índio e querem a destituição do atual administrador, Gildo Martins, do cargo. Os índios alegam que até fome estão passando, por culpa do órgão.
A manifestação foi decidida durante uma reunião realizada no final de semana, em Paranhos, da qual participaram líderes de todas as aldeias de responsabilidade da administração da Funai em Amambaí. O guarani Francisco Fernandes, uma das lideranças da aldeia Takuaperi, que está no local, disse por telefone ao Correio do Estado que situação dos indígenas é preocupante.
Francisco denunciou que muitos índios não têm documento de identidade e isso os impede de serem cadastrados no programa de Segurança Alimentar, o que significa que não recebem cesta básica; não podem se cadastrar também na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), ficando sem assistência médica e, os mais idosos, nem sequer conseguem a aposentadoria.
O líder guarani disse ainda que sua própria filha, com 16 anos de idade, não tem registro de nascimento ainda. “A Funai só promete que vai levar os formulários nas aldeias, mas não leva. Quando a gente procura não encontra o chefe e assim a gente vai ficando abandonado pelo órgão que deveria dar apoio pra gente”, reclamou o indígena. Francisco informou também que já encaminhou denúncia ao Ministério Público Federal e espera providências.
Em relação à manifestação, o líder garantiu que todos que participam do protesto vão permanecer em frente do prédio da Funai por tempo indeterminado. “Até agora não fechamos a entrada da sede, os funcionários estão trabalhando normalmente, mas a gente não sabe até quanto tempo vamos aguentar isso”, alertou Francisco, não descartando a possibilidade de os manifestantes ocuparem a sede do órgão.
Os índios acreditam que todo o problema estaria ocorrendo por falta de atenção do próprio administrador Gildo Martins e por isso, a principal reivindicação dos manifestantes é sua substituição. Eles esperam que o Ministério Público Federal e a Funai em Brasília possam intervir na questão e resolver esse problema que a comunidade considera um verdadeiro absurdo
Informa: GRUMIN/REDE DE INFORMAÇÃO INDÍGENA
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