Mina de ferro de Carajás volta à produção após saída de índios
Mina de ferro de Carajás volta à produção após saída de índios
Rio de Janeiro, 20 out (EFE).- A maior mina de ferro do país retomou hoje totalmente sua produção, depois que cerca de 200 indígenas, que ocupavam as instalações há três dias, acataram uma ordem judicial de despejo.
“As atividades foram retomadas totalmente nesta sexta-feira e todos os índios saíram da área”, disse um porta-voz da Companhia Vale do Rio Doce, proprietária da mina de Carajás.
Em conseqüência da suspensão das atividades em Carajás, onde a empresa extrai uma média diária de 250.000 toneladas de ferro e tem 15.000 funcionários, a companhia deixou de exportar cerca de 500.000 toneladas do produto esta semana, segundo um comunicado da empresa.
Os índios da etnia xikrin, que reivindicavam um aumento das ajudas financeiras concedidas pela empresa às comunidades vizinhas, começaram a sair da área na quinta-feira à tarde, e seus líderes fizeram o mesmo à noite.
Os caciques saíram da mina depois que teriam chegado a um acordo para iniciar negociações com a empresa na próxima semana.
A companhia, no entanto, alegou que não cederá às “chantagens”, e afirmou que qualquer diálogo com os indígenas será responsabilidade da Funai.
Em seu comunicado, a Vale afirmou que “não aceita negociar com comunidades que utilizem meios ilegais para impor suas exigências”, e que “está aberta ao diálogo sob a orientação da Funai”, à qual considera “responsável por qualquer negociação”.
Os xikrin pediram um reajuste no valor da ajuda compensatória que a empresa concede às comunidades indígenas, assim como a construção de 60 casas em aldeias e a reparação das estradas de acesso a suas terras.
A Vale afirmou que a ajuda dada aos xikrin já é de mais de R$ 9 milhões ao ano.
Os índios, procedentes de uma reserva vizinha conhecida como Terra Indígena Caeté, ocuparam durante três dias o Núcleo Urbano de Carajás, localidade construída pela companhia para abrigar seus trabalhadores nessa região.
A empresa denunciou que o grupo de indígenas, armados com arcos, flechas e zarabatanas, agiu com violência e chegaram a manter como reféns por algumas horas milhares de seus trabalhadores.
A ocupação também obrigou a empresa a suspender as atividades na ferrovia pela qual transporta o ferro até o porto de São Luiz, de onde é exportado para todo o mundo.